Consumo de água em mercados dispara no Rio de Janeiro

Medo de contaminação no abastecimento leva consumidores a buscarem água mineral. Em um estabelecimento no Zona Sul, 330 garrafas foram vendidas em pouco tempo.

Água mineral começa a desaparecer de supermercados do Rio

Água mineral começa a desaparecer de supermercados do Rio

A venda de água mineral nos supermercados do Rio de Janeiro disparou. A situação é reflexo direto do calor que atingiu a cidade e também dos problemas de abastecimento – nos últimos dias, moradores de vários bairros das zonas Oeste e Norte da cidade, além da Baixada Fluminense, reclamaram que a água fornecida pela Cedae estava turva, além de chegar ás casas com gosto e e cheiro estranho.

“Acabei de receber a informação de que todos os garrafões de água estão vendidos. Agora, vou continuar procurando”, disse a dentista Daniela Camellier Gomes, na saída de um mercado.

O estabelecimento, na Zona Sul da cidade, foi abastecido na manhã de sábado (11) com 330 garrafas – um total de 495 litros. No entanto, todo o carregamento acabou logo. Além do estoque estar zerado, o local já conta com lista de espera por mais água. A nova carga, porém, só deverá chegar na segunda ou terça-feira.

“Nunca vi nada parecido. No verão, temos histórico de um aumento na venda de água em torno de 30% ou 40%, o que é normal. Mas nada parecido com o que está acontecendo este ano. A água chega e é vendida de forma imediata”, explicou o dono do mercado, Bruno Ferreira.

A Cedae explicou que a alteração na cor, no gosto e no cheiro da água foi causada pela geosmina, uma substância liberada por algas no Rio Guandu, fonte de abastecimento da cidade do Rio e de municípios da Região Metropolitana.

Ainda de acordo com a Cedae, a água está dentro dos parâmetros exigidos pelo Ministério da Saúde.

Depois das reclamações da população, a companhia informou que vai começar a aplicar carvão ativado pulverizado no início do tratamento da água.

“Essa água que ainda está chegando em alguns lugares com cheiro e odor deve ser fervida e, se possível, também purificada em um filtro de carvão ativado – ou então, o consumidor deve optar pela utilização de água mineral”, recomendou o professor do Departamento de Engenharia Sanitária e do Meio Ambiente da Uerj, Gandhi Giordano.

Ele também falou sobre a presença da geosmina na água.

“De fato, trata-se de uma substância produzida por algas. E as condições para que essas algas estejam no reservatório do Guando, onde foram captadas, não mudaram. Estamos com contaminação no reservatório e recebimento de esgoto. Além disso, ainda estamos no verão. Todas essas condições estão lá, instaladas – e não há nenhuma indicação de mudança nesse quadro. Por isso, as pessoas devem se precaver”.

Newsletter G1Created with Sketch.

O que aconteceu hoje, diretamente no seu e-mail

As notícias que você não pode perder diretamente no seu e-mail.

Para se inscrever, entre ou crie uma Conta Globo gratuita.

Obrigado!

Você acaba de se inscrever na newsletter Resumo do dia.

Read More

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui