Projeto que evitaria crise da água no RJ está parado na Cedae há 10 anos

Especialista e político ouvidos pelo RJ2 acreditam que a crise da água no Rio de Janeiro poderia ter sido evitada. Isso porque, desde 2009, existe um projeto para desviar o esgoto que vem da Baixada Fluminense e que, atualmente, entra na Bacia do Rio Guandu. Se a obra fosse realizada, o material orgânico não seria captado pela estação de tratamento.

A existência dessa obra que nunca saiu do papel foi revelada pelo UOL. O RJ2 desta segunda-feira (21) mostrou que a Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos) e o Governo do Rio têm dinheiro para realizar a obra.

Só no ano passado, o lucro da Cedae chegou a R$ 800 milhões – valor muito superior ao custo das obras que ajudariam a melhorar a qualidade da água servida para 9 milhões de pessoas da Região Metropolitana do Rio de outros sete municípios.

O projeto de transposição dos esgotos de Nova Iguaçu, Queimados e Seropédica, atualmente lançados próximo do ponto de captação de água da Estação do Guandu, custaria em valores atuais quase R$ 50 milhões. Mesmo assim, o plano nunca saiu do papel.

“Existe lá uma previsão de obra desde 2009, que estourando pode custar 50 milhões [de reais], que seria pra fazer um desvio do esgoto, pra que não fosse – deriva da Bacia do Guandu – pra que não fosse pra captação, obra barata perto dos recurso do Fecam e poderia também melhorar as condições da estações de tratamento de água, que é de 1955, já teve melhorias, ampliações, mas precisa de manutenção e reposição de equipamentos. Então, recurso tinha em caixa”, explicou o deputado Luiz Paulo (PSDB).

Tratamento de água na estação do Rio Guandu da Ceade — Foto: Rodrigo Sanches/G1

Tratamento de água na estação do Rio Guandu da Ceade — Foto: Rodrigo Sanches/G1

Tratamento de água na estação do Rio Guandu da Ceade — Foto: Rodrigo Sanches/G1

Outra fonte de recursos preciosa para os investimentos em saneamento é o Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano, o Fecam, que recebe 5% dos royalties do petróleo para financiar vários tipos de projetos, inclusive esgotamento sanitário.

No ano passado, os recursos do Fecam somaram R$ 708 milhões. Mas apenas 15% desses recursos chegaram a ser aplicados, como mostrou o jornal O Globo.

No quadro de execução orçamentária do governo do estado de 2019 não dá pra identificar se parte dos R$ 116 milhões aplicados do Fecam foram investidos no Sistema Guandu.

“O Fecam foi o principal financiador da Cedae nos últimos anos nas obras de esgotamento sanitário, portando recursos todos os anos. (…) É estratégico. Exemplo: o programa de saneamento da Baía de Guanabara, o PSAN, a contrapartida exigida pelo BID [Banco Interamericano de Desenvolvimento] com recursos do estado foram com recursos do Fecam? Com esses recursos melhoraria as condições do Guandu? Com certeza. Temos de fazer priorização de recursos para esgoto, o Fecam viabilizaria a melhoraria significativa a Bacia do Guandu”, detalhou Gelson Serva, engenheiro e ex-subsecretário de Desenvolvimento Sustentável do Rio de Janeiro.

O deputado Luiz Paulo presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da crise hídrica há 4 anos. Segundo ele, mesmo com a crise econômica do estado, não faltou dinheiro pra evitar o que ocorre agora.

Água vinda dos afluentes que deságuam no lago formado pelas águas do Rio Guandu tem qualidade considerada ruim pelo Inea (arquivo) — Foto: Francisco de Assis/ TV Globo

Água vinda dos afluentes que deságuam no lago formado pelas águas do Rio Guandu tem qualidade considerada ruim pelo Inea (arquivo) — Foto: Francisco de Assis/ TV Globo

Água vinda dos afluentes que deságuam no lago formado pelas águas do Rio Guandu tem qualidade considerada ruim pelo Inea (arquivo) — Foto: Francisco de Assis/ TV Globo

“No meu entendimento, não faltou, não deveria ter faltado, porque a Cedae vem dando lucro nos últimos 3 anos. (…) Isso devia ser enfoque de governo, política de estado e passar por todos os governos. O Guandu é único, a Eta [Estação de Tratamento] de Guandu é a maior do mundo. Isso é um volume de água brutal. Se isso colapsar, não tem alternativa, não tem plano b”, alertou o parlamentar.

A Cedae informou que estão previstos mais de R$ 700 milhões em investimentos na modernização da Estação de Tratamento do Guandu, até 2022. Desse total, R$ 120 milhões ainda este ano.

Read More

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui