Rio tem bolsões de água em vários bairros após temporal na manhã desta segunda-feira

Acessos do Túnel Rebouças para o Humaitá e a Avenida Borges de Medeiros tiveram que ser interditados

Ana Carolina Torres e Gustavo Goulart

13/01/2020 – 06:38
/ Atualizado em 13/01/2020 – 13:15

Carros passam pela Rua Professor Abelardo Lobo, que ficou alagada após temporal no Rio Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
Carros passam pela Rua Professor Abelardo Lobo, que ficou alagada após temporal no Rio Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

RIO — A forte chuva que caiu sobre a cidade na manhã desta segunda-feira deixou o Rio em estágio de atenção durante quatro horas, de 5h50 às 10h, quando o município entrou no estágio de mobilização. Segundo o Sistema Alerta Rio, os núcleos de chuva forte já se afastaram do município. A previsão é de chuva fraca a moderada, em pontos isolados. O estágio de mobilização é o segundo nível em uma escala até cinco que significa que há riscos de ocorrências de alto impacto. A Defesa Civil informou que sirenes da Rocinha e Cantagalo foram acionadas, mas não houve registro de ocorrências.

A chuva afetou a circulação na Linha 2 do VLT, entre Saara e Praça Quinze. O serviço foi retomado por volta das 8h e tem intervalos irregulares. Já o trecho entre Praia Formosa e Saara foi reaberto por volta das 7h45.

Segundo a prefeitura, todas os órgãos e secretarias foram mobilizados desde o início da madrugada desta segunda-feira para trabalhar nas regiões mais afetadas pela forte chuva.

Na Rocinha, foram registrados 75,6 milímetros de chuva, quase metade do que estava previsto para o mês de janeiro. Na Ponte Rio-Niterói, o motorista deve ter bastante atenção.

Bolsões d’água

Até 9h20, o COR registrou 24 pontos com acúmulo de água, sendo que cinco ainda em andamento. Os principais são: Estrada do Galeão, na altura da Ponte do Galeão, no sentido Ilha do Governador; Rua Jardim Botânico, na altura da Praça Santos Dumont, no sentido Gávea; Avenida Borges de Medeiros, na altura da Praça do Maconhão, na Lagoa; Rua Olimpio Mourão Filho, em São Conrado; e na Rua Muiatuca, em Jardim Carioca. Equipes da prefeitura atuam na a desobstrução de bueiros nesses locais.

Confira as vias interditadas:

  • Saída da Rua Humaitá para a Avenida Borges de Medeiros (Rua Professor Abelardo Lobo);
  • Rua do Catete, na altura da Rua Silveira Martins;
  • Avenida Epitácio Pessoa, sentido Túnel Rebouças, a partir da altura da Rua Maria Quitéria.

Mais cedo, foram fechados os acessos do Túnel Rebouças ao Humaitá e à Avenida Borges de Medeiros, devido ao acúmulo de água. A via foi parcialmente liberada por volta das 7h30.

Árvore atinge carro

Em Copacabana, na Rua República do Peru 310, um galho de uma gigantesca amendoeira quebrou e caiu sobre um carro e a fachada do APA Hotel. O capô do Fiat Fiorino KZN5G06 foi completamente destruído. 

Árvore caiu na Rua República do Peru, em Copacabana Foto: Pedro Medeiros
Árvore caiu na Rua República do Peru, em Copacabana Foto: Pedro Medeiros

– Trabalho com esse carro entregando pescado. O seguro que tenho é só para reboque. Lamentável isso que aconteceu. Mas, é a natureza. O jeito é recuperar o prejuízo trabalhando com outro veículo – comentou o empresário Igor de Britto, 40 anos, dono do veículo atingido.

O barulho da queda do galho e do choque com a fachada do prédio do hotel assustou muitos hóspedes. O advogado gaúcho Jackson Andrade, de 24 anos, está passando férias com a sua mulher e se hospedou no sexto andar. O apartamento ao lado teve a vidraça de uma das janelas perfurada por um pedaço do galho que se desprendeu.

– Eram 7h30m quando eu e minha mulher fomos acordados por um estrondo. Na hora, eu pensei que um aparelho de ar-condicionado tivesse caído do alto do prédio. Saímos do apartamento e fomos até a recepção. Os hóspedes já estavam tomando café da manhã muito assustados. Um pedaço do galho com folhas caiu na varanda do nosso apartamento. Foi um grande susto – contou Andrade, quem embarca para Porto Alegre na terça-feira.

Após queda de árvore, janelas ficaram destruídas Foto: Pedro Medeiros
Após queda de árvore, janelas ficaram destruídas Foto: Pedro Medeiros

O hotel está cheio de hóspedes. Porém, seis apartamentos foram interditados pela Defesa Civil. Por terem sido atingidos pelo galho da árvore. Janelas do 4º, 5º e 6º andares foram perfuradas tem pedaços do galho. O gerente do hotel, David Jandre, lamentou o incidente mas reclamou de negligência do poder público.

– Se a gente põe uma plaquinha na fachada do prédio alguma autoridade vem logo cobrar. Isso que aconteceu só mostra a negligência do poder público. não tem um fiscal para vir avaliar as condições de uma árvore muito antiga e que nem essa chuvarada não suportou. As janelas são acústicas e não é tão fácil repô-las. Vários aparelhos de ar-condicionado foram danificados com a queda do galho sobre eles – lamentou o gerente do hotel.

O principal acesso ao hotel ficou fechado durante a manhã para a retirada de pedaços do galho que caíram sobre a fachada do hotel. Funcionários da Comlurb trabalharam na retirada de folhas e pedaços do galho do local. A via foi reaberta às 12h57.

No Flamengo, um poste de luz tombou na esquina das ruas Paissandu e Paulo VI, na madrugada desta segunda-feira. Um morador contou que a queda foi provocada por um caminhão de transporte de caçamba de entulho. A luminária quebrou e a fiação está exposta, oferecendo risco a quem passa por ali.

– Isso já deveria ter sido consertado. Como podem deixar tanto tempo essa fiação exposta oferecendo risco para os moradores? – questionou o Sandra Vieira moradora da Rua Paissandu.

Língua negra em Copacabana

Uma língua negra surgiu na Praia de Copacabana, na altura da Rua da Rua Santa Clara, em Copacabana, na Zona Sul. A Avenida Atlântica, no mesmo bairro, tem vários pontos com acúmulo de água.

Chove forte também em Niterói, na Região Metropolitana, a Avenida Roberto Silveira, em Icaraí — um dos principais acessos à Ponte Rio-Niterói — tem vários trechos alagados. Na Avenida Sílvio Picanço, em Charitas, há bolsões d’agua.

Em Petrópolis, na Região Serrana, o Rio Quitandinha corre o risco de transbordar. O mesmo acontece com o Rio Mambucaba, em Parati, na Costa Verde, o que deixa a cidade em estágio de alerta. Estão em estágio de alerta também os município de Barra Mansa, Teresópolis e Santo Antônio de Pádua.

De acordo com a assessoria de imprensa do Corpo de Bombeiros, equipes da corporação foram acionadas para dez ocorrências de corte de árvores em todo o estado, até as 9h desta segunda.

Alagamento histórico no Catete

Entregador dá carona a pedestres no Catete Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo
Entregador dá carona a pedestres no Catete Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

A Rua do Catete ficou completamente alagada entre a Silveira Martins e Barão de Guaratiba. Agentes da CET-Rio tiveram que desviar carros para Rua Ferreira Viana. Veículos maiores estão sendo orientados a terem cuidado ao passar pelo aguaceiro. O funcionário de um Hortifruti na Rua do Catete usou uma bicicleta do trabalho para ajudar pessoas a atravessarem a rua sem se molhar.

Nedina Levy, presidente da Associação Abraça Aves, de Laranjeiras, e supervisora dos animais do Palácio do Catete, reclamou do problema do alagamento nesse ponto do bairro.

– Tenho 65 anos. Vim de Macaé para cá aos 19 anos e desde então toda chuva que acontece causa esse alagamento. Isso aqui é uma descida, e a água que vem do Morro Santo Amaro alaga tudo. Os bueiros ficam entupidos, e ninguém faz uma obra para resolver a situação – reclamou Nedina.

Na esquina da Rua Silveira Martins com a Praia do Flamengo, pedestres tiveram que subir na mureta do Palácio do Catete e se agarrar à grade para transpor um ponto muito alagado. Foi o caso de Gabriela Gomes da Silva e sua filha Ágatha, de 5 anos:

– Estou levando minha filha para a creche. De tanto isso acontecer, acabei ensinando-a a fazer esse malabarismo. Ela já está acostumada. É sempre assim. Muitas folhas e sujeira entopem os bueiros – comentou Gabriela.

Na Rua do Passeio, no Centro, Álvaro Arruzzo, de 59 anos, o dono de uma banca de jornal há 20 anos, usava uma vassoura no início da manhã desta segunda-feira para tentar desobstruir um bueiro.

– Esse trecho aqui é crônico. Não tem obra que dê jeito. Parece que fica abaixo do nível do mar – comentou, enquanto desentupia o bueiro, diante de uma rua parcialmente alagada.

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