Secretário de Defesa desmente Trump e diz não saber de plano de Soleimani contra embaixadas

Presidente havia mencionado iminência de ataques a quatro representações diplomáticas como justificativa para matar general iraniano

Thomas Gibbons-Neff, do New York Times

12/01/2020 – 17:56
/ Atualizado em 12/01/2020 – 22:37

Manifestante em Nova York segura cartaz de protesto contra conflito entre EUA e Irã Foto: SPENCER PLATT / AFP
Manifestante em Nova York segura cartaz de protesto contra conflito entre EUA e Irã Foto: SPENCER PLATT / AFP

WASHINGTON – O secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, afirmou neste domingo (12) que nunca viu nenhuma peça específica de evidência de que o Irã estivesse planejando ataques a quatro embaixadas americanas. O presidente Donald Trump havia usado na semana passada a suposta existência desses planos como justificativa para a operação que matou um general iraniano e colocou os dois países à beira de uma guerra.

— Eu não encontrei nada a respeito de quatro embaixadas — disse Esper à rede de TV CBS, com ressalvas. — Eu compartilho da visão do presidente de que provavelmente minha expectativa é que eles iriam atrás das embaixadas. As embaixadas são a demonstração mais proeminente da presença americana em um país.

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As declarações confusas de Esper e de outras autoridades no domingo se somam ao debate que ocorre desde 3 de janeiro, questionando as razões para o ataque que matou Qassem Soleimani, o general mais importante do Irã. A administração ofereceu justificativas diferentes para a operação.

Recentemente, autoridades evitaram dar detalhes sobre o que, exatamente, motivou o ataque aéreo, mas na sexta-feira Trump disse que parte da razão era que o Irã estaria planejando ataques a quatro embaixadas americanas.

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Na entrevista de domingo à CNN, Esper pareceu dar mais apoio à alegação de Trump.

— O que o presidente disse em relação às quatro embaixadas é aquilo no qual eu também acreditava — afirmou. — E ele disse que acreditava que eles provavelmente poderiam estar alvejando embaixadas na região.

Em entrevista à rede Fox News, porém, Robert O’Brien, conselheiro de Segurança Nacional, tinha minimizado a alegação de Trump sobre ameaças iminentes específicas a embaixadas americanas na região.

— Veja, é sempre difícil, mesmo com a inteligência formidável que temos, saber exatamente quais são os alvos — disse O’Brien. — Nós sabíamos que existiam ameaças a instalações americanas. Agora, se eram bases, embaixadas, é duro saber até que o ataque aconteça. Mas nós temos inteligência muito forte.

Mike Lee, senador por Utah, um dos republicanos mais críticos ao ataque, afirmou à CNN no domingo que estava “preocupado” com a qualidade da informação que autoridades de segurança nacional estavam compartilhando com o Congresso, e que ainda não tinha obtido certeza sobre “detalhes específicos sobre a iminência de ataque”.

— Eu creio que os porta-vozes e o presidente acreditavam que eles tinham tido base para concluir que havia iminência de um ataque, não duvido disso, mas é frustrante ser avisado disso e não ter acesso aos detalhes por trás — afirmou.

Questionado especificamente sobre se acreditava que autoridades tinham notificado o Congresso sobre as ameaças iranianas a quatro embaixadas, tal qual haviam alegado, Lee afirmou que não.

— Não ouvi nada sobre isso — disse. — Muitos dos meus colegas disseram o mesmo. Aquilo era novidade para mim, e certamente não é algo que me lembro de ter sido incluído na notificação secreta.

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